PREÇOS DE APARTAMENTOS SOBEM, ENQUANTO VALORES DE SALAS COMERCIAIS CAEM; ENTENDA OS MOTIVOS
- tctrevo
- 16 de dez. de 2020
- 3 min de leitura

Diferença entre os segmentos é registrada em Porto Alegre ao longo de 2020.
Há uma espécie de contraste no mercado imobiliário de Porto Alegre na pandemia. Com a população em casa por mais tempo e o juro em baixa, a procura por imóveis residenciais apresenta sinais de reação. Assim, o preço de venda de apartamentos acumula alta ao longo do ano. Enquanto isso, a paralisação de atividades econômicas e o regime de home office reduziram a demanda por salas e conjuntos comerciais. O resultado é a queda no valor desses espaços. A diferença é dimensionada pelo Índice FipeZap, desenvolvido em parceria pela Fipe e pelo Grupo Zap. A pesquisa leva em conta anúncios publicados na internet.
De janeiro a outubro, o preço médio de imóveis residenciais registrou avanço nominal de 1,46% na Capital. Com isso, o valor de venda foi estimado em R$ 5.979 por metro quadrado. A alta no acumulado ainda fica abaixo da inflação na Grande Porto Alegre – em igual período, o IPCA subiu 1,53% na região.
O Índice FipeZap avalia anúncios de apartamentos prontos para morar em 50 municípios brasileiros.
Os imóveis comerciais, por outro lado, tiveram baixa de 0,93% no preço médio, em Porto Alegre, de janeiro a outubro. O valor de venda foi de R$ 7.178 por metro quadrado. Na área comercial, o levantamento contempla anúncios de salas e conjuntos de até 200 metros quadrados em 10 cidades do país.
– Em termos normais, quando há crescimento econômico, o juro baixo é combustível para aumentar a demanda nos dois segmentos. Neste ano atípico, não. Em 2020, a atenção das pessoas com a casa cresceu. Isso, eventualmente, aumentou a intenção de adquirir imóveis residenciais. Ao mesmo tempo, a baixa na atividade econômica afeta empresas e, portanto, o segmento comercial – observa o economista Eduardo Zylberstajn, coordenador do Índice FipeZap.
Presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado (Sinduscon-RS), Aquiles Dal Molin Júnior também atribui as diferenças aos efeitos do coronavírus. Segundo ele, a demanda por apartamentos está "forte e consistente" na Capital, apesar da pandemia.
O dirigente acrescenta que, durante o período de isolamento, consumidores têm buscado, principalmente, imóveis de maior área, com três dormitórios. No caso das salas comerciais, a expectativa é de avanço nos preços a partir de 2021, diz o líder empresarial:
– A pandemia aqueceu nas pessoas o desejo de investir em qualidade de vida e mudança de apartamento. Ocorreu o inverso com imóveis comerciais. Muita gente passou a trabalhar em home office.
Sinais de melhora
Presidente do Secovi-RS, que representa as imobiliárias, Moacyr Schukster relata que as vendas do setor sofreram baque logo após a chegada da covid-19. A melhora passou a ser sentida com maior força, no segmento residencial, a partir de julho.
– As pessoas precisam de moradia. O ramo residencial está praticamente normalizado. Existe confiança – afirma.
O contraste entre os segmentos não é exclusividade da capital gaúcha. Na média dos 50 municípios pesquisados, o preço médio de venda de apartamentos avançou 2,75% de janeiro a outubro. O valor por metro quadrado foi estimado em R$ 7.424 nesses locais.
Já os imóveis comerciais apresentam redução de R$ 0,20%, nas 10 cidades pesquisadas pelo Índice FipeZap, no acumulado dos 10 meses. Na média, o metro quadrado custou R$ 8.476 em outubro.
O índice ainda traz dados segmentados por bairros e zonas urbanas. Em Porto Alegre, o Três Figueiras tem o maior preço médio de venda de apartamentos. Em outubro, o metro quadrado no bairro custou R$ 10.919. A menor marca foi preenchida pela Restinga, com R$ 2.367.
No segmento comercial, o preço mais elevado na Capital foi o do bairro Jardim Europa (R$ 12.907). O mais baixo foi verificado no Navegantes (R$ 3.141).
Fonte: ZH Economia - 02/12/2020



Comentários